|
|
||
|
|
HISTÓRICO ![]()
|
|
|
(in FOLKLORE DO CONCELHO DE VINHAIS, P.e Firmino A. Martins. 2.º Volume, p 488, Edição da Câmara M. de Vinhais, 1987).
Santalha, como qualquer outra aldeia transmontana, sofre o problema da desertificação, pois, desde a década de sessenta, tem visto partir uma grande parte da sua população, principalmente a mais jovem, que procura trabalho noutras paragens, quer dentro do país, nas cidades, principalmente do litoral, quer nos países da União Europeia, onde encontra melhores condições de vida e tem mais rendimento em relação ao esforço dispendido. Embora tenha sido vila administradora de oito freguesias, abrangendo trinta e quatro aldeias, durante dezassete anos (1837 a 1854), e, prova evidente do seu prestígio, ser também o facto de, em 1850, ter sido para aqui transferido, dos arrabaldes de Vilar Seco de Lomba, o ensino primário, quando, nessa altura, apenas existiam quatrocentas e quarenta escolas no reino, e ainda documentos escritos nos provarem que era uma povoação abastada, Santalha não resistiu ao êxodo da maior parte das suas gentes, restando aqueles teimosos que não largaram uma agricultura de subsistência e que faz com que, actualmente, a população residente seja, na sua maioria, bastante envelhecida. Foi neste contexto que alguns dos que por lá ficaram, na década de oitenta, se juntaram em redor de um sonho: não deixar perder a sua maior riqueza - saberes, usos, costumes e tradições. Então, uma dezena de jovens lançou a semente, outros tantos deitaram mãos-à-obra e ajudaram a florir aquela que é hoje a Associação Cultural e Recreativa Santa Eulália. Porquê Santa Eulália? Por ser a padroeira de Santalha e da qual, por contracção, veio o nome da povoação. Santalha - o berço. 28 de Agosto de 1986 - data do seu nascimento, conforme consta de escritura pública lavrada no Cartório Notarial de Vinhais, confirmada por publicação no Diário da República n.-º 218, III Série, de 22 de Setembro do mesmo ano. Actualmente, a sua sede funciona no antigo edifício da escola primária que, mui gentilmente, foi cedido para esse efeito pela Câmara Municipal de Vinhais. O objectivo desta Associação é promover a cultura, o desporto e o recreio dos seus associados, não deixando cair no esquecimento cantares, costumes e tradições que, em tempos idos e à luz da candeia, nas longas noites de Inverno e também durante o Verão, eram o alimento de um são convívio e passatempo das pessoas, ao contrário de hoje, em que a televisão e outros meios de diversão absorvem a totalidade dos tempos livres, principalmente aos mais jovens. Para isso tem levado a efeito: - A recolha de cantares e a recuperação de costumes e tradições: cantar os reis, desfiles e casamentos no entrudo, serra da velha, encomendação das almas, cantigas das segadas, tomba dos carros, magusto; - Convívios e excursões para proporcionar aos sócios e demais gente da freguesia o conhecimento de outras zonas do país e de Espanha;
- Participação em cortejos etnográficos e em concursos de cantares; - Programas de rádio (serra da velha e participação no "Bom dia Tio João"), Além das actividades referidas, que a Associação promove, na sua grande maioria, anualmente, temos em mente a criação de um Museu Rural para preservar as alfaias agrícolas e utensílios domésticos, dado que. por não serem utilizados, tendem a deteriorarem-se ou mesmo a desaparecer, tendo já sido alertada a população para a conservação de tais bens, que mais tarde poderá doar para o referido Museu, quer a título definitivo, quer apenas para exposição, não lhe perdendo a sua posse. - Todo o trabalho realizado e o que se pretende fazer obedece a uma perspectiva de defender o que de mais puro e singelo há nos ensinamentos dos nossos avós. ISTO, PORQUE ENCARAMOS A CULTURA DE UM POVO COMO ALGO QUE NÃO MORRE, MAS QUE SE TRANSMITE.
|
||
Adeus povo de Santalha, as costas te vou virando; minha boca se vai rindo, meu coração vai chorando.
Adeus povo de Santalha, tens duas pedras d'assento: uma é p'ra namorar, outra p'ra passar o tempo.
Adeus povo de Santalha de longe pareces vila: tens um cravo na entrada e uma rosa na saída.